
Não adianta mais chorar agora
Repouso os instrumentos ao lado
Composições negras em plena aurora
A flauta corta o vazio instalado
Letras sangrentas dissoam no crepusculo
Estrelas cadentes cortam o céu astuto
Esperei o fim para compor uma música
Escutei nota por nota a tristeza
Cada suspiro até então uma última
Cortina de sons densa e espessa
O piano se encarrega de ressoar
Todos os desejos angustiosos no ar
E aceito-me como musicista sombrio
Nada além da graça,cada vez tocada
Minhas melodias se acomodam no frio
Então,no choro eu repolso minha alma
Até o silêncio de quando eu me for
Remetendo em uma noite de estupor
Trilhas melacólicas tingem lembranças
Carregadas pelo passar do vento
As mentiras destroem a temperança
Que se consolidou com o tempo
Ecos batem no coração e tudo desaparece
Um canto calmo consola-me até que anoitece
As pessoas dispertam do sono enfim
Nunca como antes,eu fecho os olhos
E me entrego em um sonho de marfim
Para Orfeu,toco uma tragédia em esboço
Não há sono para uma dor tão incerta
E as canções das sombras me despertam
Eu não tenho temores pela frente
Todos os dias eu me tranco
No meu mundo que me contenta
Uma úlima nota enfrente ao piano
Eu prometo morrer depois,eu prometo
Apenas ressoe o que sinto no peito
Uma última canção cálida mas triste
Eu me sinto tão bem,desvanescendo
Tocando uma sinfônia em que o ápice
É uma letra em pauta para história
Tão ao meu lado,mas fora do alcance
Foi á canção final do meu romance...
O adeus é dado por um réquiem na harpa
Á musica pode enfim morrer no meu interior
O som será minhas preciosas asas
Para desbravar o reino do Édem inferior
Devagar e poético em um primeiro sorriso
Coros de anjos me recebem no paraíso

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