
Nas águas doces ela escuta o chamado
Criada por ninfas,deixada pela mãe
Amada por ela,mesmo que tenha esquecido
Renegada pelo pai,feita para o amanhã
Feições de cristal da soberana dos rios
Proibida ao mar,apenas em sonhos o viu
Duzentos anos atrás,abaixo da porta dos mares
Híade e seus mistérios a criou,abençoada
Trazida em terra como proteção de todos os males
Ninfa dos lagos doces,de Atlântida exilada
Histórias antigas e paginadas pelas mãos de Heleade
Filha princesa,herdeira do trono e fruto de Híade
Guardando sua curiosidade em escuridão
Reinando sobre os azuis tão proximos
O chamado profundo é escutado pelo coração
Ninfas de água,segredos tão sórdidos
Navegando em direção ao mar,submergindo mais
Procurando quem lhe grita o nome,cantos fatais
Sentindo o sabor salgado na pele e nos lábios
Ela desceu,bem abaixo da superfície,um azul profundo
Encontrou a cidade cujo sol não lança seus raios
Atlântida,o silêncio reinando em todos os segundos
A rainha adormecida no extremo abismo,deitada e velada
Jazendo nas masmorras mais geladas,adormecida e fechada
Nadando entre os santuários aquáticos,explorando o oceano
Docas tranquilas e desoladoras,uma maldição sobre o pacífico
Tranquilo é o sono,distânte é o relance do lugar insâno
Maresias calmas e fluxos que parecem levar até um destino
Crepúsculo em sombras,o chamado a instigou ao mais fundo lugar
Neste silêncio dorme Híade,seu corpo reluzente e sua coroa a brilhar
As mesmas faces de neve,as feições de cristal
Mistérios do ocêano,a mãe se prostava a sua frente
Adormecida,a inconciência protege de seu mal
O remorso de abandonar filha,por medo quase indecente
Contos devassos antes do despertar marítimo emergidos
Adormecida cada vez mais,o passado de Heleade escondido
Lágrimas nas feições da dama submersa,lágrimas doces
Quanto de seu choro é o sal aquático que existe?
O coração congelado,os sonhos em que nunca jamais soube
O destino de sua pequena,mas o final é tão triste
Ultimas palavras projetadas em um diário,achado finalmente
As linhas desbotadas pelo tempo telegíveis para sua remetente
"Herdeira do império oceânico,a menina que lê estas cartas
Muito te amei,mas teu progenitor me abandonou,eu sucumbi
O peso da humilhação que me foi concebida,carícias escassas
Do meu amor tu és fruto,é o maior orgulho que posso pedir
Cedo tive que lhe privar do meu leite,mas deixarei meu império
O que jaz no fundo,junto das promessas da terra em um cemitério
Lá jaz tua coroa,forjada pelo maior dos amores,o meu
Dormirei eternamente,sofrendo mais e mais,escute
Teu futuro é o de trazer denovo sol,prosperidade e apogeu
Ao povo submerso,guia-los para o azul maior que existe
Minha Heleade,Sabia eu que ao meu colo teria de retornar
Da mesma forma que os rios irão um dia desembocar no mar"
Imergindo aonde sepultava-se a caixa de sua progenitora
Cartas apaixonadas entregue no sabor da praia em outra era
A coroa cintilava em suas mãos tão palidas,coroada agora
O trono do azul a espera,emergindo para a imensidão deveras
As faces da mãe beijadas,levando-a para águas mais mornas
Rainha do mar,Heleade,finalmente ajoelhada ela se torna...

Nenhum comentário:
Postar um comentário