
Eu vejo as nuvens sopradas do alto
Um grande sonho perdido,o grande céu
Suspiros entre suspiros,tão certo
Lá estava o príncipe,em seu corcel
Bem do alto,a vista mas fora de alcance
Como as estrelas,apenas sem tantas nuances
Alí ele criou seu reino,afastando-se
Do amor e do ódio que rodeiam a terra
Mimou-se,teve uma vida fácil,se fosse
Errado,ele o faria,pois sabia que era
Inalcançável pelos demais,seja para vingar
Seja para consola-lo,da solidão em seu olhar
Sozinho nas nuvens por mais de duas décadas
Preso nos próprios ideais torpes,sem carinho
E ali ficará,até o fim de todas as eras
Com uma fé mórbida,curvando-se ao destino
Deixando levar-se nas ondas das noites
E das correntes dos ventos em açoite
Um dia ele decidiu descer do castelo
E admiriar a vida mudana aqui em baixo
Entender o amor,e porque forte é esse elo
Não amou,apaixonou-se em vários acasos
Iludiu-se e iludiu,maguou vários corações
Mas do amor,não teve nenhuma de suas lições
Desfez histórias,escreveu promessas na areia
Deu a grande dor aos poetas e poetisas
E logo cansou,para ele aquilo já bastaria
O suposto amor não lhe forneceu alegria
Levou alguns presentes e lembranças esquecidas
Mas não sabia da raiva e do ódio,bem merecidas
O paraíso onírico,a prisão fora do alcance
Desejava de todo coração retornar para cima
Porém conheceu uma criança,feliz e cantante
Com seu brinquedo,satisfeito com a companhia
A inveja nasceu nos olhos do nobre sem título
Uma felicidade simples,esse foi o intúito
Roubou o brinquedo do pequeno,que não chorou
Vestiu-se na indiferença e voltou-se só a sí
O garoto assistiu seu brinquedo e quem o levou
Subirem ao paraíso inferior,e este seria o fim
O ladrão dorme,tranquilo,indiferente ao que criou
Alheio a tristeza,ódio,mágoas e as lágrimas que provocou

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