
A chuva derruba as folhas,despindo árvores
Todas as águas estão vermelhas de sangue
Préces distantes,todas as palavras e ardores
Tudo isso está me matando,então me segue
Do cálice dos mortos,o veneno em seu gole
Beleza desfeita,escurecida,deixada à sorte
Este grande amor despido,ainda nos veremos?
Temo perder toda a máscara,ser um monstro
Como eu queria as paredes de um lar sereno
Seu rosto é cada vez menos nítido,como sonho
Será que o amor vai padecer?Eu ainda te amo
Oh Deus os oceanos escutam o que eu clamo
As trevas para meus olhos,bani-los de beleza
Ainda nos veremos nas sombras,no vazio da morte
Minha cova preparada,caixão de pregos e incerteza
Lágrimas da memória,minha bússola aponta o norte
A maior dor ainda nem se mostrou,e já me despedacei
Meu grande amor,teus olhos escuros eu não encontrei
Todas as pegádas levadas pelas ondas coléricas
Em meio as penumbras,desejando estar contigo
Não tenho mais Deus,só tuas asas abertas
E meu futuro fechado,longe do adormecer do mundo
Deixando no vento as lembranças e a noite desejada
Aquelas feridas incuráveis,minha prosa refugiada
Escrevendo versos da maior dor de todas
Morto para se fechar,olhos de besta
Demônio sem visão,bebendo sua alma
Rever a sabedoria não é mais uma certeza
Estuprada todas as lágrimas,calejados meus dedos
Meu grande amor enterrado,desfeito em desejos
Uma noite para se chorar e apreciar o vento
Brisa avassaladora que anuncia a chuva
Em meus passos,bebí do cálice,terminei o tempo
Marcada em uma alma que aos poucos se aprofunda
De tantos rachados,torna-se um poço do oceano
Dormindo em topor eterno,eu lamento tanto
Acabada a jornada em um silêncio sufocante
Gravidade amarrada pela dor de um coração
Meu grande amor,seus olhos tão inebriantes
Nunca vão me ver pois fui largado em escuridão
Cada passo para estar mais em seu lado
Acabou me distânciando do meu amado

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